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| Julieta Venegas: “Minha música é alegre porém cética”
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Entrevista com a cantora mexicana Julieta Venegas, que se encontra em turnê apresentando seu novo CD e DVD “MTV Unplugged“, Sony BMG, no qual interpreta em versão acústica suas melhores músicas além do single inédito “El Presente”. O acústico tem a participação especial da brasileira Marisa Monte na faixa “Ilusión”.
Nome ainda desconhecido para o grande público brasileiro, Julieta passou a ter alguma notoriedade por aqui ao interpretar junto a Lenine a canção “Miedo”, no CD Acústico MTV do cantor. É vencedora de dois Grammys e sucesso na América que fala espanhol e na Europa, e seu trabalho anterior, o ábum “Limón y Sal”, é disco de ouro e platina em vários países como Estados Unidos, Espanha e Argentina. |
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Como você define sua música?
Me considero compositora, não saberia dizer quanto à estilo que música faço, eu gosto de compor canções e vestir-las de diferentes estilos.
Como se consegue criar uma música original, com personalidade e comercial? A originalidade e personalidade costumam ser classificadas em alternativas ou independentes, não chegam a tanto público. Como você junta esses 3 ingredientes?
A verdade é que não tenho a menor idéia. Eu canalizo todas minhas inquietudes na criatividade e em contar as coisas de uma maneira sincera. Me surpreende quando funcionam, me encanta quando conectam com as pessoas porque isso é bonito, quando estou escrevendo não estou pensado a quem vai chegar e quem vai entender, mas na hora de tocar é mais bonito quando sei que está chegando a algum lado, que estou comunicando.
O acordeom é seu instrumento favorito?
Não. O piano é meu instrumento favorito. Eu sou pianista e comecei a tocar acordeom nos shows, me encontrei como muito encerrada e presa no piano. Mas em minha casa o que toco é o piano e é o instrumento base para todo o que eu toque ou tente tocar.
Sua música é cada vez mais otimista. Por quê?
Eu não chamaria de otimista, possivelmente é alegre, mas acredito que segue sendo cética. Para mim o otimismo me soa como demasiado; ‘se tudo bem, tudo bem’. Quero pensar que pelo menos questiono as coisas.
O que é a música ranchera?
A música ranchera no México é a música mariachi. Alguma vez canto rancheras com minha irmã em bares na praia.
Que literatura recomendaria a seus fãs?
Eu sou bastante de ler, ultimamente descobri uma mexicana que se chama Guadalupe Nettel que tem um livro de contos que se chama “Pétalos”. Eu sou mais fã dos romances onde se pode desenvolver mais um tema, mas nesse livro “Pétalo” me fascinaram os contos, me parece que Guadalupe tem um mundo estranho e incrível ao mesmo tempo. Gosto dos romances do escritor húngaro Sandor Marai, tem muitos... “A herança de Eszter” e “Divórcio em Buda” te fazem refletir sobre tua vida e tudo em geral.
Pensa em escrever poemas?
Não. Gosto muito de poesia, que redescobri nos últimos anos, mas eu escrevo em base a musicalizar algo, não sinto que escrevo poesia, não acredito que se sustente sozinha, se sustenta com a música. Escrevo a música e a letra ao mesmo tempo, pode que tenha uma estrofe que vou trabalhando com a música e logo sigo desenvolvendo a letra.
Na música “Eres Para Mí” a frase “Me lo ha dicho el viento (me disse o vento)”, como se interpreta?
Às vezes costumamos encontrar sinais quando queremos, e se você está apaixonado tudo te vai dizendo ‘sim, sim, sim...’, essa música é como alguém que está encontrado sinais em tudo.
O argumento de “Me voy”, por que você acha que um casal que começa com amor com o tempo o perde?
Eu acho que tem de tudo: circunstâncias, erros que se vão cometendo, se vai descuidando daquilo que era quando começou... Tem outra canção em “Limón y Sal” que fala um pouco disso, “Mírame bien”, não se pode perder isso com o que começamos, algo tão real, não deixemos que se perda na vida diária. “Me voy” é quando já se perdeu.
Em seu novo single “El presente” do álbum “MTV Umplugged”, o que você comunica?
É uma música sobre saber dar-se conta e apreciar o que você tem nesse momento porque pode que o amanhã não exista. As pessoas sempre estão pensando que se o passado, que se o futuro, o que passará, o que será... e pode ser que o futuro não exista e nunca se sabe o que pode mudar.
Sua música é sobre amor, você acha que no mundo falta mais amor?
Falta mais amor e menos medo, esse mais amor não somente como uma questão imediata de casal e de família, e sim como um amor de dar-nos conta que temos mais em comum com o resto das pessoas do que pensamos.
Quê impede que esse amor se expanda?
Eu acho que é o temor aos demais. As pessoas vivem como com muito medo, medo ao que possa passar, medo aos desconhecidos, medo ao perigo, medo de tudo... e se esquecem do que se pode fazer e de sentir que você tem a ver com seus semelhantes, que são seres humanos também.
Você que teve que romper com seu entorno para seguir sua carreira musical, que conselhos daria a uma pessoa cujo projeto de vida não se amolda a seu entorno?
Eu acho que tem que conversar com os demais, conversar de uma maneira que não pareça uma espécie de rebeldia apenas. Você tem que estar seguro do que quer e poder explicar-lo aos demais. Que não seja necessário o rompimento. Para mim foi necessário, mas foi muito duro para mim com a idade que tinha, romper com minha família e de repente ir embora. Mas eu acho que se você está seguro de algo é importante também saber explicar, saber dizer-lo, e se está rodeado das pessoas que te amam, pessoas que se preocupam com você, não o fazem com má intenção, o resultado é explicar bem as coisas.
Em um mundo de mulheres duras que competem pelos mesmos postos que os homens, como triunfa a mulher doce?
Dizer que as mulheres são duras ao tratar de ser como homens me parece estranho, porque finalmente o mundo mudou, as mulheres mudaram, o mundo já não é somente dos homens. A doçura é parte de ser mulher, é uma parte natural.
Quantas pessoas já te disseram que sua vida melhorou escutando suas músicas?
Muita gente já me disse, é bonito quando me dizem isso, é bonito saber que comunico e movo algum tipo de emoção que seja positiva para alguém.
Os milagres existem?
Eu acredito que os milagres existem porque as emoções podem mudar as pessoas, mudar a vida de alguém. Eu quero pensar que sim.
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Autor: musicamp3
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